quinta-feira, janeiro 31, 2008

Mercury vs. Variações

Estava a pensar quais as parecenças entre um e o outro, e cheguei à conclusão que ainda são bastantes. Para tal decidi colocar aqui dois vídeos para vocês poderem tirar as vossas próprias elecções.


Queen - I want to break free



António Variações - O corpo é que paga



Desfrutem...
Valete Frates

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Fora de contexto

Estava eu hoje a ver o jornal da noite na SIC, quando a seguinte notícia despertou a minha atenção. A notícia era sobre dois tigres que fugiram de um circo, que só por si é interessante (não sei porquê mas a ideia de ter um tigre de estimação fascina-me), mas melhor que isso foram as palavras da jornalista que estava a fazer a peça, que passo a citar:
"...um dos tigres foi apanhado por volta das 8 horas da manhã, tratava-se de um tigre macho. Todavia o segundo tigre foi apenas caço ao meio-dia, sendo que foram necessário 20 homens (!!!) para domar a fêmea..."
Se já perceberam a ideia devolta desta frase fora do contexto, são como eu...pessoas muito imaturas...
;)
Valete Frates

terça-feira, janeiro 29, 2008

Música do mês

Desta vez a minha escolha recaiu para uma música muito melancólica. Atendendo que a música pertence aos LCD Soundsystem, acaba por parecer uma antítese.
Quem já não deu por si deprimido com o local onde mora? Olhando para as ruas e vendo poucas oportunidades, ignorância, tristeza, sentido-se aprisionado?
Bem, cá a minha terrrinha faz-me sentir assim. Claro que a adoro, uma parte de mim é a minha terra, o sítio onde vivo, mas às vezes...
Fora com a minha persona, e cá vem a letra, uma ode dos tempos modernos à cidade de Nova Iorque.

LCD Soundsystem - New York I love you, but you're bringing me down
New York, I Love You
But you're bringing me down
New York, I Love You
But you're bringing me down
Like a rat in a cage
Pulling minimum wage
New York, I Love You
But you're bringing me down
New York, you're safer
And you're wasting my time
Our records all show
You are filthy but fine
But they shuttered your stores
When you opened the doors
To the cops who were bored
Once they'd run out of crime
New York, you're perfect
Don't please don't change a thing
Your mild billionaire mayor's
Now convinced he's a king
So the boring collect
I mean all disrespect
In the neighborhood bars
I'd once dreamt I would drink
New York, I Love You
But you're freaking me out
There's a ton of the twist
But we're fresh out of shout
Like a death in the hall
That you hear through your wall
New York, I Love You
But you're freaking me out
New York, I Love You
But you're bringing me down
New York, I Love You
But you're bringing me down
Like a death of the heart
Jesus, where do I start?
But you're still the one pool
Where I'd happily drown
And oh.. Take me off your mailing list
For kids that think it still exists
Yes, for those who think it still exists
Maybe I'm wrong
And maybe you're right
Maybe I'm wrong
And myabe you're right
Maybe you're right
Maybe I'm wrong
And just maybe you're right
And Oh..Maybe mother told you true
And they're always be something there for you
And you'll never be alone
But maybe she's wrong
And maybe I'm right
And just maybe she's wrong
Maybe she's wrong
And maybe I'm right
And if so, is there?

O Sr. Variações disse que a sua música se situava entre Braga e Nova Iorque. Por mim preferia neste momento um pouco da grandeza de Nova Iorque por troca deste sítio pequenino e tacanho, que é "Braga".

Valete Frates

quinta-feira, janeiro 24, 2008

Carla Bruni - Lancia

Continuando a tradição deste blog de colocar uns anúncios publicitários para alegrar o espírito, desta vez a escolha recaiu sobre este com a Carla Bruni. Ex-modelo, cantora de algumas belas músicas e a mais recente aquisição do presidente francês para as visitas de estado Nicolas Sarkozy.
Neste clip vemos retratada uma femme fatale com todo o seu charme, e personalidade lança-chamas (literalmente). Para isso ajuda também e muito a música da Nancy Sinatra.

Valete Frates

sábado, janeiro 19, 2008

Jeff Buckley - Hallelujah

Ás vezes é bom ir tirar o pó a alguns albúns. Interessante a forma como olhamos para algumas obras com o passar do tempo.
Comecei por gostar do Jeff Buckley não sabendo muito bem porquê, havia algo que me compelia a gostar daquela música.
Mas agora com mais uns anos em cima, consigo ver a grandeza da sua música. Roçava a perfeição. Uma voz inacreditável, excelente imagem, letras belíssimas e muito rock.
Alguém tinha que reclamar esta voz para si, como se um bem perdido se tratasse. Sim porque por vezes parecia não pertencer a este mundo, sente-se algo superior aproximando-se de nós, olhando para nós.
Deixou-nos tão cedo tendo tanto ainda para dar.
Para todos aqueles que ainda não tiveram o prazer de conhecer a música deste senhor deixo aqui este vídeo tributo encontrado no youtube, para aqueles que queram ver um clip mesmo do Sr. Jeff basta carregar no título do post.

Jeff Buckley - Hallelujah

sábado, janeiro 12, 2008

As minhas marcas em 2007

Estas foram as duas das canções que mais desfrutei em 2007. Muitas horas de música ouvi mas estas duas...bem...
As músicas são como as pessoas, gostamos de muitas, mas gostar mesmo muito só uma mão cheia delas.
Uma letra e um vídeo para animar a malta:
A 1ª música foi escolhida especialmente pela letra. Deixa-me estufacto como quase 30 anos depois ainda me consigo identificar com uma música assim.

Joy Division - Disorder

I've been waiting for a guide to come and take me by the hand,
Could these sensations make me feel the pleasures of a normal man?
These sensations barely interest me for another day,
I've got the spirit, lose the feeling, take the shock away.

It's getting faster, moving faster now, it's getting out of hand,
On the tenth floor, down the back stairs, it's a no man's land,
Lights are flashing, cars are crashing, getting frequent now,
I've got the spirit, lose the feeling, let it out somehow.

What means to you, what means to me, and we will meet again,
I'm watching you, I'm watching her, I'll take no pity from you friends,
Who is right, who can tell, and who gives a damn right now,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
Until the spirit new sensation takes hold, then you know,
I've got the spirit, but lose the feeling,
I've got the spirit, but lose the feeling,
Feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling, feeling.

Agora uma voz profunda das noites escuras, sem dúvida merece um lugar de destaque. Se a música anterior foi escolhida pela letra, esta foi pela voz do Mark Lanegan.


Mark Lanegan - Hit the city








Valete Frates

quinta-feira, janeiro 03, 2008

Previsões


E na altura em que entra o novo ano, muito se fala do futuro, de resoluções, e visões do futuro. Todos nós gostariamos de saber o que o futuro nos reserva, certo?
Bem não sei a vossa resposta, mas para mim dava jeito saber umas coisas...Mas como não sou vidente, nem tenho uma bola de cristal, remeto-me à incerteza que o futuro me traz. Porém à algo que gosto de tentar acertar, de prever o que poderá acontecer.
Na minha opinião o ser humano normal é algo de muito prevísivel. Conseguimos adivinhar os passos, os gestos, as atitudes, e por vezes os comportamentos, daquelas pessoas que conhecemos à muito tempo.
Claro que há sempres excepções (e são muitas), mas a balança cai sempre para o lado da normalidade, do rotineiro, do prevísivel no fundo.
Este exercício está ao alcance de qualquer um de nós, todavia para se conseguir acertar um bom número de vezes, já nos é exegido uns certos requisitos.
Convém conhecer a pessoa em questão à algum tempo, estar atento a pequenos pormenores, utilizar um pouco de inteligência, e conhecer algumas reacções tipo. Estes são alguns dos detalhes que vos podem ajudar a prever uma dada pessoa.
Ficaram supresos com a quantidade de vezes que acertarão nas vossas avaliações se utilizarem um pouco de senso-comum e as qualidades acima descritas. Verão que muitas pessoas têm um pensamento tão linear, tão curto, tão desprovido de imaginação, que ficarão muito supreendidos. Na minha opinião este é um excelente jogo, para desenvolver a vossa inteligência, manterem uma mente aberta e utilizarem a imaginação, por antagonismo com as pessoas que estão a analizar.
Claro que isto não é uma ciência exacta, estando muito longe disso, pois eu não tenho nenhum curso em psicologia, ou psiquiatria, e volto a dizer há sempre pessoas que são verdadeiras excepções.
Mas digo-vos com o passar do tempo vocês vão ficando melhores, e começam a saber o que esperar das pessoas, o que vos pode ser muito útil no vosso futuro.
Aliás um boa maneira de saberem um pouco do vosso futuro é saberem com quem podem contar.

Valete Frates

Escrito ao som de Visões/Ficções - António Variações

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Joyeux Noel!

E quando o Natal estava a queimar os últimos cartuchos, eis que a RTP decide oferecer uma das melhores prendas que tive este ano. Por volta das 2 da manhã passou o filme Joyeux Noel. A historia de 3 regimentos (Escoceses, Franceses, e Alemães) que na 1ª guerra mundial em plena linha da frente, no meio das trincheiras decidem parar de lutar na véspera, no dia 24, para juntos passarem o Natal. O filme expõe o ridículo que a guerra é. Utilizando palavras do filme os homens inímigos na linha da frente, têm mais haver uns com os outros do com os generais que lhes dão ordens para se matarem mutuamente.
Este é aquele filme que devia passar em horário nobre, ao invés daqueles filmezinhos que vomitam estupidez e que só nos ajudam a tornar ainda mais entorpecidos. Todavia agradeço à RTP pelo facto de ainda passar estes filmes (mesmo que sejam às 2 da matina).
Sem dúvida um dos momentos altos deste Natal.

Valete Frates

domingo, dezembro 23, 2007

Prenda de Natal

Pronto depois de vos ter dado algumas sugestões de Natal, fica a minha prenda para vocês. Se já por si o regresso ao activo dos Gorillaz é uma verdadeira prenda de Natal para qualquer amante de música, este vídeo para mim tem assim uma atmosfera natalícia. Com paz e boa vontade entre os homens. Portanto esta é a prenda deles para o mundo que eu transmito para vocês.
Feliz Natal...


Valete Frates

sábado, dezembro 22, 2007

7 Bandas - Nirvana

Ora bem depois de 4 bandas inglesas está na hora de atravessar o Atlântico, e irmos para os EUA. Porque para além das ocasionais guerras, também vem de lá muito boa música.
Desta vez a minha escolha recaiu sobre os atormentados Nirvana. A voz da geração X, da música grunge, de Seattle... Durante a sua relativamente curta carreira foram das bandas que mais marcas sociais deixou no seu tempo, e talvez a última banda que realmente mudou a faixa etária dos 16-30 anos, alterando os comportamentos e atitudes da juventude de então.

A banda era composta por três elementos: Kurt Cobain (vocalista/guitarrista), "Krist" Novoselic (baixo) e Dave Grohl (baterista). Tudo começou com a amizade entre Cobain e Novoselic enquanto ainda andavam no liceu, o qual Kurt deixou antes de ser finalista.Os dois com a ajuda de alguna amigos conseguem gravar uma demo que lhes garantiu um contracto com a produtora Sub Pop. Gravaram alguns singles e mais tarde, com um orçamento muito reduzido (na ordem dos 5 mil dólares), gravam o primeiro disco Bleach.O disco não vendeu muitas cópias, mas foi o início para algo maior.Os dois rapazes precisavam de um baterista fixo, e com o fim da banda de Dave Grohl, juntou-se o útil ao agradavél. Dave entra para a banda em 1990, e passa uns primeiros tempos algo dificeis, dividindo um apartamento depressivo com um Kurt que dava a sensação que a cada dia que passava perdia mais um pouco da sua saúde mental.
Kurt começou a namorar com a Tobi Vail membro da banda, Bikini Kill, após uma amizade de um ano. Certo dia quando uma amiga de Tobi visitava o apartamento escreveu num espelho "Kurt smells like teen spirit!"(uma marca de desodorisante muito popular entre os jovens da altura), e assim estava dado o nome para uma das canções que viria a mudar o mundo.No ano de 1991 sai Nevermind. O single de estreia Smells like teen spirit foi uma bomba, o videoclip são 5 minutos de da maior crueza e dureza possíveis. Consta que para a gravação do vídeo foram pedidos a alguns jovens fãs para comparecerem no local de gravação para assim poderem aparecer no mesmo. Quando chegaram ao local foi-lhes pedido para esperarem e ensaiarem alguns movimentos. Depois de decorrido quase meio-dia, fartos de esperar e de lhes dizerem o que fazer a juventude revoltou-se e começou a libertar-se, a dançar, a cantar e a mexer como lhes passava pela cabeça. Resultado, um dos melhores vídeos de sempre.Todo o disco Nevermind é um verdadeiro manifesto, contra a sociedade, contra os pais, contra a própria adolescência. Fala das mudanças físicas e intelectuais dos jovens durante a sua adoslecência, sem medos, sem tabus...Um verdadeiro berro de alerta, um aviso para um mundo que os olhava de lado, com desconfiança, completamente alheio aos seus problemas de afirmação dentro de um meio psico-social. Foi por esta altura que todos os temas tão diversos e adjacentes à adolescência, passaram a ser discutidos, e a própria idade em si passou a ser olhada com outros olhos. Os Nirvana foram o óleo da engrenagem.
Após todo o sucesso do segundo disco, começaram as digressões e consequentemente os abusos...
Não será preciso dizer mais nada, a história já foi ouvida em várias gerações e aquela não havia de ser diferente. Os homens do Rock andam sempre com as drogas atrás.
Entretanto Kurt Cobain juntou-se com a sua futura esposa Courtney Love, e assim se juntaram os Reis do Grunge, acima de todos os súbditos, quase como semi-deuses da juventude.
Os Nirvana gravaram novo álbum In Utero que apenas veio cimentar a sua posição, todavia foi no MTV Unplugged que tiveram o derradeiro momento de graça após Nevermind. Num concerto ao vivo numa atmosfera muito intíma e intensa, com velas e arranjos florais por todo o lado, fazendo com que o concerto mais parece-se um velório.
Foi aqui que o lado mais macio, mais suave dos Nirvana se revelou, completamente diferente de tudo aquilo visto até então realizado por eles.
Kurt mal levantava a cabeça, e sempre com uma expressão sofria enquanto cantava as letras que tinha escrito, de uma forma para a qual não existem palavras para descrever.
Foi uma das mais belas despedidas de sempre, já que a 5 de Abril de 1994 Kurt Cobain suicidou-se, o fim anunciado pelo destino que atraiçoa muitas vezes quem é jovem e famoso e com medo do mundo.
Construiram-se mil e uma teorias de conspiração, estando como é óbvio a sua também "atribulada" mulher Courtney Love envolvida no meio.
Em 2002 saiu Nirvana, o disco com os melhores êxitos da banda que voltou a lançar para a ribalta o nome de tal banda. Provando que para sempre ficaram letras, músicas e vídeos como este:

Smells Like Teen Spirit - Nirvana



Valete Frates

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Chico Buarque e Nara Leão - A banda

Depois de ter escrito o texto anterior fui procurar ao youtube vídeos do Chico Buarque, e dei de caras com esta pérola musical e histórica. Segundo informações do "tubas" este vídeo é do II festival de música brasileiro, que decorreu em 1966, portanto a imagem não é das melhores mas dá para perceber bem todo o vídeo.
Nele conseguimos ver um muito jovem Chico Buarque e Nara Leão, mas peço especial atenção para os primeiros 2 minutos do vídeo, (pois os dois minutos seguintes são um pouco pimba) aí apenas Chico e seu violão aparecem, encantam a multidão, e ponhem um enorme auditório a dançar e a cantar. Mágico.
Uma música verdadeiramente festiva e onde dá para ver a alegria do povo a ouvir e a sentir a música.

É mesmo um vídeo 5*.



Valete Frates

quarta-feira, dezembro 12, 2007

Quinteto Tati - Suor e Fantasia

Assim para descontrair um pouco, que tal uma música brasileira cantada em português?
Bem a música é um original, e a banda portuguesa, mas a música...
Bem digamo que faz lembrar muito a canção Samba e Amor de Chico Buarque. Também uma coisa é certa, o Sr. JP Simões (antigo vocalista da banda) é fã de Chico Buarque (ultimamente até deixou crescer um bigode a fazer lembrar o do Chico nos anos 70).
Mas a música é boa e recomenda-se, assim como o Chico Buarque e como o último disco a solo do JP Simões.


(Recomenda-se que coloquem o aúdio mais alto)

Valete Frates

domingo, dezembro 09, 2007

7 Bandas - Smiths

(Morrissey e Johnny Marr)

De volta às grandes causas, e desta vez, a banda escolhida foi os Smiths, os reis e senhores da música indie, grandes impulsionadores do brit-pop. A banda que influênciou todas as bandas que hoje em dia são grandes (Suede,Radiohead,Stone Roses, Oasis...). Misturava como ninguém a música com a letra, muito devido aos dois génios da fotografia em cima. Enquanto Marr fazia verdadeiros hinos de canção pop, Morrissey escrevia letras tão profundas, sinceras e intensas, que faziam qualquer ser humano estremecer quando as ouvia.
Vamos então falar da banda que em apenas 5 anos de história (peço-vos atenção à ordem cronológica) mudou a face da música, e marcaria uma geração.

Em 1982, Johnny Marr então com 18 anos, decide encontrar-se com Steve Morrissey. Ambos moravam na mesma vila, e Marr depois de assistir a um documentario que mostrava como Jerry Leiber e Mike Stoller (compositores de Hound Dog, de Elvis Presley) se tinham conhecido, decide reviver a sua história. Assim se decidiu em irromper pelo portão da casa de Morrissey.
Morrissey com 22 anos ficou supreso com a visita, todavia mandou-o entrar. Foram até ao quarto de Morrissey onde este afirmou "ter passado toda a adolescência em frente a uma máquina de escrever".
Depois de uma conversa em que descobriram gostos similares, decidiram juntar-se formar uma banda. Anos mais tarde Morrissey definiu esta visita como um "salvamento da morte".

Mais juntaram-se Mike Joyce e Andy Rourke, e agora já poderiam ser uma verdadeira banda.Decidem optar pelo "Smiths", ora Smith (em português Silva), é o mais utilizado e mais banal apelido em Inglaterra. A sua escolha deve-se aos nomes complicados e pomposos que as bandas da altura começavam a escolher (que os Depeche Mode são um exemplo).
A banda no fundo era o fruto da mente de 2 génios musicais, Marr e Morrissey, que embora fossem bastante diferentes (Morrissey era um verdadeiro excêntrico,tímido e introvertido, e Marr um rapaz simples e lingrinhas), sofriam uma dependência mútua muito grande.
Uma última curiosidade, consta que a banda na hora de encontrar uma editora, bateu à porta da famosa Factory Records (Joy Division, A Certain Ratio, Happy Mondays...), mas que na altura o patrão da Factory, o não menos famoso Tony Wilson recusou contratá-los pois achava que eles seriam demasiado grandes para aquela editora. Mais tarde a banda assinaria pela também mítica Rough Trade, famosa pela sua tendência indie.


O primeiro disco sai em 1984 com o nome The Smiths. Na capa um dos heróis de Morrissey, James Dean.
O albúm ganhou atenção instantaneamente, devido à riqueza e factor polémico das suas letras. Morrissey escrevia letras com bastantes referências bibliográficas, escritores como Oscar Wilde, Jack Kerouac, eram grandes inspirações. Todavia a canção The hand that rocks the cradle, inspirada em vários poemas especula-se que seria sobre pedofilia. Tal facto foi prontamente negado pela banda (jornalistas que não têm nada para fazer).
Ao longo desse ano a banda lança vários singles, todos eles com bastante sucesso. São exemplos disso William, it was really nothing e a minha favorita How soon is now?.
No meio deste ascenção vertiginosa, a banda sofre a primeira perda, Joe Moss
o manager da banda, o homem que mostrou o documentário a Johnny Marr decide afastar-se, pois repara que a sua relação com Johnny Marr começa a ter reflexos no comportamento de Morrissey, que se torna cada vez mais possessivo em torno do génio de Marr.
Em 1985 sai Meat is Murder, título alusivo ao facto de Morrissey ser um vegetariano "extremista", consta que proibiu os outros elementos da banda de serem fotografados a comer carne. Mas mais importante que isto é o facto do começo da politização das letras.É nesta altura que a crítica política começa. Os Smiths começam a disparar para todos os lados, para o corporativismo, para o castigo corporal nas escolas, para o governo de Margaret Thatcher (mas será que houve algum músico que gostasse dela?) que por aquela altura invadiu a Etiópia, e contra a realeza britânica tema que seria revisitado no próximo disco. Musicalmente Marr é impressionante. Mistura temas musicais muito dispersos como o rockabilly, o punk, o rock, a balada, a música de dança, e mantém aquele gosto aquele travozinho tão indie, tão próprio dos Smiths. No fundo a música de Marr é complemento perfeito para as letras de Morrissey. Só uma música de Marr consegue controlar o ouvinte de criar uma revolução imposta pelas letras de Morrissey.

(Capa do disco The Queen is Dead)

Pouco tempo após a saída promocional
Bigmouth strikes again, sai em 1986 a obra-prima da banda. The Queen is Dead.
Se as letras marcaram o albúm anterior, neste a música dominou. Eram algo de verdadeiramente contagiante, os riffs da guitarra, a simplicidade melódica, a facilidade de bater o pé ao ouvir as músicas eram algo de impressionante. Uma experiência única.
Não se fique a pensar que as letras de Morrissey desiludiam, pois como já disse estes génios eram completamente dependentes. Morrissey mantinha a crítica à monarquia, parafraseva tudo o que lhe interessava, livros, filmes, fait-divers, utilizava o humor mordaz...tudo isto pode-se entender como as figuras de estilo da sua escrita.
Todas as música do disco são muito boas mas essenciais são There's a light that nevers runs out e
The Boy With the Thorns in is side.
A cumplicidade entre Morrissey e Marr era avassaladora. Num programa de televisão inglês apareceram com brincos iguais, Marr usava o seu na orelha esquerda e Morrissey na direita. por esta altura começam também a surgir alguns problemas, Rourke é despedido devido ao seu vício em heroína. Entretanto saem os singles Shoplifters of the world unite, The World Won't Listen (onde Morrissey se queixa da falta de reconhecimento),
Em 1987 sai o seu último registo, Strangeways, Here We Come. O título é inspirado numa comédia e na prisão de Manchester (Strangeways). E aqui começa-se a notar que nem tudo vai bem no reino da Dinamarca. A letra da música I won't share you pensa-se que foi escrita por Morrissey sobre Marr. Morrissey demonstra-se ciumento por Marr trabalhar com outros artistas.
Quando questionado pela intrepertação da canção Marr respondeu:"...não sou de ninguém para ser partilhado...".
Marr compõe as músicas da ode de despedida. E que bela ode saiu. I Keep Mine Hidden, Girlfriend in a Coma, e Last night I dream't that somebody loved me serão sempre músicas para recordar, carregadas de significado e sinceras.
Depois do lançamento aconteceu uma reacção em cadeia que Marr apelida de "acontecimentos internos que acabaram com uam miséria desnecessária". Uma série de factores começou a causar cisões entre a amizade de Marr e Morrissey. Até que Marr decide dar uma abanão. Pede à banda para redirecionar a sua imagem e o seu som, coisa que foi intrepertada pelos seus colegas como uma resignação. Marr decide então afastar um pouco da banda sempre na esperança que eles fossem atrás dele, aceitando as suas ideias. Todavia a banda continuou.
Esta separação afectou bastante todos os elementos da banda, mas Morrissey, com o seu coração tremendamente sensível e frágil, foi o reagiu pior.
Isto, na opinião de modesto ser humano, foi um enorme mal-entendido. Coisas que ficaram por dizer cara-a-cara, e que no final vieram pelas bocas de outras pessoas. Exemplo disso foi a forma como Marr foi afastado de vez da banda. Através de um comunicado libertado pela editora e nunca da boca dos seus colegas.
E assim tudo acabou e entra em campo o orgulho doentio. Os elementos da banda foram para tribunal em disputa pelos direitos musicais, e monetários.
Morrissey através do sarcasmo e mordacidade como sempre ia mandando as suas "bocas", dizendo que: "Antes preferia comer os meus próprios testículos do que voltar a juntar-me com os Smiths..." frase que completou dizendo:"...e isto vindo de um vegetariano quer dizer alguma coisa."
Todavia tanto Morrissey como Marr sempre admitiram que eles eram o coração e a alma da banda.
Nos dias de hoje Morrissey tem uma interessante carreira a solo, continuando a mostrar na sua letra o seu coração medroso, e há muitos anos partido. Marr continua a ser um embaixador da música militando agora na banda americana Modest Mouse. Recentemente a banda recebeu propostas milionárias (na ordem dos milhões de libras!!!) para se reunirem, mas que tanto Marr como Morrissey refutaram dizendo que seria a reunião pelas razões erradas.
Todavia há esperança no ar, já que Marr afirmou:"Mas no futuro quem sabe? Já aconteceram coisas mais estranhas..."
E com esta ideia percorrendo-me a cabeça que acaba a história deixando a letra de How Soon It's Now?, que qualquer parecença com alguém vosso conhecido não passa de mera coincidência:

How Soon Is Now? - The Smiths

I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
Of nothing in particular


You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way ?
I am human and i need to be loved
Just like everybody else does

I am the son
And the heir
Of a shyness that is criminally vulgar
I am the son and heir
Oh, of nothing in particular

You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way ?
I am human and i need to be loved
Just like everybody else does

Oh ...
Oh ...

There's a club, if you'd like to go
You could meet somebody who really loves you
So you go, and you stand on your own
And you leave on your own
And you go home, and you cry
And you want to die

When you say it's gonna happen "now"
Well, when exactly do you mean ?
See, i've already waited too long
And all my hope is gone

Oh ...
Oh ...

You shut your mouth
How can you say
I go about things the wrong way ?
I am human and i need to be loved
Just like everybody else does

Ok ?

Valete Frates

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Mais uma sugestão de natal...

Queria deixar mais uma sugestão para aqueles indecisos que ainda não sabem o que hão de oferecer este Natal, espero que isto lhes dê uma ideia.
Só uma pequena nota, se calhar já repararam, que 90% das vezes que ponho um vídeo ou uma foto neste blog, são sempre mulheres loiras (desta vez é a Charlize,haaa...Charlize...), só queria dizer que não tenho nada contra as morenas (antes pelo contrário), mas as loiras...Eh pá, mexem comigo. Posso dizer que sou a prova viva, que os homens preferem mesmo as loiras.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Este Natal quero uma Scarlett no sapatinho

Estive a arrumar a minha secção de links, e muitos vídeos que lá tinha posto desapareceram do "tubas". Ora o único que sobrou foi este anúncio da Calvin Klein. Sendo eu um confesso admirador de alguma publicidade e mais ainda da Scarlett Johansson, ainda bem que este sobrou, porque era o meu preferido.
Na reedição, a cores e em vídeo do anúncio do perfume Eternity, e visto a chegada do Natal eu quero fazer o meu pedido.
Pai Natal, podes dar o perfume a outro menino, eu preferia uma Scarlett no sapatinho.



Valete Frates

Música do mês


Ok, neste mês fiz o meu regresso, com posts decentes a este blog, e isso reflecte-se na vontade que tive e tenho de escrever cada vez mais. Então para continuar assim com energia positiva, nada melhor do que uma música que explusa os demónios, e cheia de optimismo. Aqui fica ela:

PJ Harvey - Good Fortune

Threw my bad fortune
Of the top of
A tall building
I'd rather have done it with you
Your boy's smile
Five in the morning
Looked into your eyes
And I was really in love

In Chinatown
Hung over
You showed me
Just what I could do
Talking about
Time travel
And the meaning
Just what it was worth

And I feel like
Some bird of paradise
My bad fortune slipping away
And I feel the
Innocence of a child
Everybody's got something good to say

Things I once thought
Unbelievable
In my life
Have all taken place
When we walked through
Little Italy
I saw my reflection
Come right of your face

I paint pictures
To remember
You're too beautiful
To put into words
Like a gypsy
You dance in circles
All around me
And all over the world

And I feel like
Some bird of paradise
My bad fortune slipping away
And I feel the
Innocence of a child
Everybody's got something good to say
So I take my
Good fortune
And I fantasize
Of our leaving
Like some modern-day
Gypsy landslide
Like some modern day
Bonnie and Clyde

On the run again
On the run again

Valete Frates

segunda-feira, novembro 26, 2007

SE7EN

Se houver alguém no mundo que ainda não tenha visto o filme SE7EN, e seja parvinho o suficiente para não ver este filme brilhante (não fosse o David Fincher a realizar), ficam aqui os melhores momentos do psicopata John Doe, com a fantástica cena final do filme. Ainda bem que a RTP1 o passa de 10 em 10 meses. Não me canso de o ver.



Valete Frates

domingo, novembro 25, 2007

8 1/2 de Fellini

Ontem soube bem ter terminado a noite mais cedo, querendo ressalvar que a companhia foi agradavél como sempre (quer à língua como à vista) ao contrário do que o eu estava a dizer.
Todavia quando cheguei a casa estava a dar um documentário sobre o cinema italiano (mais tarde deu um sobre a revolução russa e a URSS, que por sinal também estava a ser muito bom, mas o sono levou a melhor), o documentário era assinado por Martin Scorcese e tinha o nome "A minha viagem a Itália". O último filme documentado foi o 8 1/2 de Fellini.
Ora no final, para além de ter ficado com uma vontade enorme de ver o filme e de ser o Sr. Marcelo Mastroianni, fiquei também com vontade de passar a mensagem da mesma forma que o narrador passou para mim.
Só para vos dar um cheirinho da história (e porque ainda não vi o filme), posso dizer que se trata de um filme praticamente auto-biográfico, onde a personagem experiência as mesmas situações que Fellini passou, o nome do filme advém do facto da personagem ter feito 8 filmes e mais um episódio, prefazendo o 8 1/2. Mas o filme é muito mais que uma biografia, é arte, é a descrição do processo de criação da mesma, as pressões que todos colocam no cineasta (incluindo a dele próprio), a procura da musa inspiradora da criatividade...

Tudo isto retratado na forma única de um dos maiores mestres do cinema, que recorre a diversos elementos técnicos e psicológicos (o constante recorrer ao surrealismo), para tornar o filme numa experiência maravilhosa.
Colocando nas palavras do narrador:"É um filme sobre filme, e que não podia existir fora do filme."
Deixo aqui o clip da cena inicial, que espero vos aguce o apetite como me fez a mim, e também uma nota. No meio do lixo constante que nos tentam impingir diariamente, tentando rutulá-lo como "cultura" e/ou "entretenimento", é bom saber encontrar coisas realmente boas e fazer um esforço para as compreender. Verão que quer compreendam quer não, no final do filme, o vosso intelecto foi exercitado, e sairam com um ideia ou outra diferente do que quando começaram a ver o filme.
Se quiserem podemos ver o filme juntos. ;)

segunda-feira, novembro 19, 2007

David Lynch

Continuando na telha do Sr. Exoterismo, deixo aqui uma conversa de David Lynch à nação global. David Lynch esteve recentemente em Portugal para dar uma palestra sobre, o seu mundo. Sobre os seus filmes, umas dicas para os ajudar a intrepertar, falou sobre a sua fundação, e sobre a meditação transcendental. Estas palestras têm-se vindo a realizar pelo mundo fora, seja para a sociedade cívil, para estudantes universitários...
Deixando ideias no ar como, através da meditação tornarmo conseguirmos ser mais criativos, mais inteligentes, mais energéticos....Incluir a meditação nos planos curriculares das crianças que automaticamente está ligada há paz mundial, consciência, desenvolver o potencial do ser humano, enfim coisas que só vêem estragar as nossas vidas, não é?
Para mim o exoterismo, é algo de muito peculiar.
Consegue dar sentido a coisas que parecem não fazer sentido nenhum, mas que vendo bem, e com uma boa capacidade de intrepertação, conseguem ter mais sentido do que qualquer realidade por nós experimentada.
Estamos tão entropercidos nesta nossa "realidade", que já nem vemos o quanto insanas são as nossas atitudes.
Que vos parece ser mais desprovido de sentido?
Um homem tentar num momento, expressar em palavras inexistentes aquilo que o prende, que o apoquenta? Ou um homem passar toda a sua vida a desenvolver tecnologia, para que depois possa ser usada para matar milhões?
Pensei bem na insanidade...
Ora para vos tornar melhores seres humanos deixo aqui o vídeo com o muito sábio David Lynch.
Por favor façam um esforço para entender...
Ah, e o vídeo também está em inglês.


David Lynch talks



Valete Frates

domingo, novembro 18, 2007

7 Bandas - Pink Floyd

(Esquerda para a direita - David Gilmour, Roger Waters, Nick Mason e Richard Whright, no Live 8)

Se dissesse que esta é uma das bandas que mais influênciou a música no século XX, e a banda mais visionária de sempre, não teria a dizer nenhuma asneira.
Sem dúvida alguma os Pink Floyd são grandes, mesmo muito grandes.
Têm o segundo disco mais vendido de sempre (!!!) (Dark Side of the Moon), uma das discografias mais completas, um filme, e cerca de 200 milhões de discos vendidos.
No Live 8 em 2005, gelaram o coração de milhões de fãs pelo mundo fora, quando actuaram em conjunto quase 20 anos depois de Roger Waters ter saído, deixaram toda a gente a pensar numa reunião. Tal não se veio verificar, mas mesmo assim foi quase meia-hora, simplesmente mágica. Foi sem dúvida a melhor coisa em termos musicais que aconteceu nesse festival.
Vamos lá tentar contar a sua história feita de mais de 40 anos de muitos mitos e suposições, recheada de boas músicas, e onde o orgulho doentio não a deixa ter um final feliz.A banda foi formada por volta de 1964, na Universidade de Cambridge, por Roger Waters (Baixo), David Gilmour (Guitarra/Vocais), Nick Mason (Bateria), Rick Wright (Teclados) e o misterioso Syd Barret (Vocais).
Esta desde muito cedo começou a tocar ao vivo, em clubes e bares. Todos eles eram residentes em Cambridge, era no fundo uma banda composta por amigos, estudantes e com ideais esquerdistas, todos eles estudavam para ter uma carreira nas artes.
No ínicio a banda teria uma sonoridade virada para os blues. Isto cedo se viria a inverter quando Syd começou a escrever as suas letras, recheadas simbolismos e carregadas de LSD.
Todavia o som era bom e em 1967 sai The Piper at the gates of Dawn, exemplo número 1 da música psicadélica.
Foi um êxito. Pelo menos em Inglaterra onde esteve no top 10.
Mas a boa sorte abandonou-os a partir desse momento. Momento em que Syd começou a deteriorar-se.
(Syd Barret)

Syd havia-se tornado um dependente de LSD, a droga alucinogénica. Ora coisa boas sairam de "trips" de ácido por essa altura. Grandes nomes fizeram brilhantes canções sobre o efeito dessa substância como o Jim Morrison, Jimmi Hendrix que os Pink Floyd até acompanharam numa digressão, entre muitos mas mesmo muitos outros...
Ora obviamente que isto das drogas é um mundo tortuoso e de fácil perdição, para dar um exemplo ambos nomes referidos acima morreram com 30 anos(!!!), Syd está fora desse leque (morreu há pouco tempo com 60 anos), mas uma certa trip iria mudar a sua vida para sempre.
De um momento para o outro o seu comportamento começou a tornar-se ainda mais estranho,e misterioso, chegava atrasado aos ensaios e gravações, aparecia em público visivelmente exausto ou frenético e chateado...
Ora segundo consta, aqueles eram circulos que a banda não frequentava (hmm...não me parece...), e então os managers decidiram dizer que Syd teve um esgotamento nervoso e mandaram-no para umas férias em Espanha.
Quando Syd voltou, ouvia-se as histórias que ele tinha ido para lá dormir em cemitérios.
Ora a banda decidiu continuar sem ele, Gilmour começou a tomar conta dos vocais, e começaram a cantar as músicas que Syd escrevera, sem Syd para as cantar. Certa vez Syd apareceu a um clube mirando Gilmour enquanto este cantava as suas músicas. Consta que este episódio irritou bastante Gilmour.
Waters entretanto decidiu abandonar a universidade e dedicar-se de corpo e alma à banda. Foi ele que teve a coragem de afastar Syd Barrett de cena.
Após a saída de Syd Barret as rédeas da liderança passam para Roger Waters, que toma conta de direcção sonora do grupo, e compõe a maior parte das músicas.
Em 1971 sai novo disco, uma preparação para a revolução musical que o próximo registo viria a causar.
Posto isto em 1973 sai um dos melhores discos de sempre, Dark Side of the Moon.
Uma das melhores experiências sonoras de sempre, com 10 músicas que podem mudar a vida de uma pessoa em cerca de 45 minutos.
Mas que tinha assim de tão especial?

Dark Side of the Moon, era o dito disco conceptual.
Mas que é isso?

Um disco conceptual tal como o nome indica, é um disco criado para satisfazer um determinado conceito que o artista escolheu para escrever e compor. Basicamente todo o álbum advém de uma ideia base.
No caso dos Pink Floyd o tema escolhido foi a experiência humana, a vida, a sua e a dos outros. Grande parte das músicas eram introduzidas com sons bastante diferentes, como máquinas registadoras, pássaros, relógios de coluna...Tudo encaixa prefeitamente. Os temas descrevem situações supostamente dificeis com uma naturalidade impressionante. Por exemplo falando assim dos temas mais evidentes, a música Time fala sobre o envelhecimento, a perda de oportunidades durante a vida e o mau uso que damos ao pouco tempo que nos é dado nesta vida. A música Money é sobre temas como o materialismo, a ganância, das portas que o dinheiro abre, como ninguém consegue ser superior ao dinheiro. Brain Damage foi um tributo de Roger Waters a Syd Barrett (aliás após a saída de Syd, este tomou um lugar de destaque no lirismo de Waters), abordava coisas inóspitas como a doença mental, a loucura, o abandono...
Resumindo Dark Side of the Moon é algo que devia ser obrigatório qualquer ser humano ouvir, daquelas coisas que devia fazer parte do plano curricular da disciplina de inglês, ou de filosofia. É algo mesmo maravilhoso, é fechar os olhos e escutar. Escutar o mundo, a vida, a sociedade, o individuo. É impressionante o virtuosismo de Gilmour com a guitarra, os teclados a criar o ambiente, e toda aquela nuvem sonora, recheada de cheiros e lugares.
Num plano mais didáctico, e falando dos mitos de volta deste registo, consta que Dark Side of the Moon e o filme "Feiticeiro de Oz" fazem uma boa parelha. Segundo o mito se se colocar o disco a tocar a uma dada altura do início do filme, consegue-se que cerca de 100 falas coincidam. Fica a deixa para quem quiser experimentar.

Em 1975 sai Wish you were Here, cujo tema homónimo ainda mexe nos dias de hoje pelas rádios. Embora muitos pensem que é uma canção de amor, Waters escreve mais uma vez sobre Syd (acho que foi o pesar de consciência), temas como a solidão e ausência de amigos são a verdadeira essência da canção segundo Waters.
Outros discos muito bons sairam, mas há mais um do qual sou obrigado a falar, The Wall.
Escrito para ser a banda sonora de um filme com o mesmo nome, é a visão de Waters que está exposta. No fundo acaba por ser um disco de Roger Waters intrepertado pelos Pink Floyd. O filme também foi escrito por Waters, e para qual estava previsto ele ser o actor principal, mas que na realidade foi o amigo da banda Bob Geldof (o senhor que organizou os Live Aid e 8), coisa que não foi muito do agrado do Sr. Waters. Ora se o filme não é para qualquer um, já o disco é bastante explícito. Ele é politico, freundiano, insano...
Crítica abertamente o sistema educacional inglês (que anos mais tarde foi importado para Portugal), dizendo que diminuiu a individualidade dos alunos ingleses, conformando-os a moldes e negando-lhes a oportunidade de ser criativos, esta tomada de posição causou bastante polémica na Inglaterra da "Dama de Ferro", Margaret Tatcher.
Num plano psicanalítico, com a canção
Mother, conta a história de um rapaz cujo amor materno, chega a ser sufocante, transformando o rapaz na vida adulta, uma pessoa incapaz de ligar com os problemas que lhe aparecem.

No caso da insanidade, tema que mais uma vez tem um lugar guardado no disco, Roger Waters conta-nos uma história que lhe aconteceu na realidade, essa história está em Confortably Numb, onde ele partilha uma situação que lhe aconteceu nas vésperas de um concerto, em que ele estava doente e mesmo assim os médicos, acessores, managers, etc, o drogaram para que ele pode-se levar acabo o concerto, para que este não fosse cancelado.
O tema chave desta vez é a solidão e o isolamento. Aliás para melhor contextualização do disco, o filme pode ajudar.
No filme a personagem principal, vai criando um muro à sua volta, que representa o seu afastamento emocional das pessoas (para mais informações ver um dos meus primeiros posts).

Escrito mais este brilhante capítulo da história da banda, esta lança mais um disco The Final Cut, dá-se na realidade o corte final. Roger Waters lider e principal compositor da banda abandona a mesma. E apartir daqui é que as coisas começaram azedar.
Veio o rancor, ciúme, os insultos, lutas judiciais e um enorme diferendo entre David Gilmour (novo lider) e Roger Waters.
Ambos começam a tentar sabotar as carreiras um do outro, criticando a forma de tocar, desafiando-se publicamente com Gilmour a pegar no porco balão (adereço sempre usado por Waters) e colocando-lhe um par de testículos.
No fundo nenhum podia viver sem o outro. David Gilmour precisava do idealismo e brilhante capacidade de escrita de Waters, Roger Waters precisava da maravilha sónica da banda, para contextualizar as suas ideias.
Tudo isto se foi passando durante anos, até deixar de existir qualquer respeito e consideração entre os elementos.
Em 2005 Bob Geldof liga a David Gilmour e pergunta se a banda não quereria juntar para o Live 8. David diz que não. Dias depois Roger liga a David e diz para se colocarem as diferenças de lado, que o objectivo da reunião é mais importante que as suas diferenças. Gilmour aceita a ideia e o mais uma vez o inacreditavél acontece com a reunião da banda. Foi uma noite recheada de significado, a reunião de uma banda que tinha passado mais tempo separada do que a tocar junta. No momento da noite, em que Waters e Gilmour juntaram as vozes para cantarem Wish you were here. Tributo ao homem que os inspirou para se juntarem naquele momento. E para Waters?"O saldar de uma dívida antiga..."
Clara referência a Syd Barrett, o habitante das sombras da banda.

(Syd Barrett pouco antes da sua morte)

Para terminar e porque a história de Syd Barrett é algo que não só merece ser contado, como deve ser contado, vou contar um pouco da sua história.
Após o seu afastamento, Barrett ainda lançou 2 álbuns a solo em grande parte produzidos pelos seus antigos companheiros, principalmente Roger Waters e David Gilmour. Ambos fracassaram em termos de vendas, que apenas vieram provar o seu estado de fraca saúde mental. Apartir de 1975 qualquer elemento dos Pink Floyd deixou de ter contacto com Syd, uma vez que a sua família o proibiu de os ver, tendo em conta que ter notícias dos seus antigo colegas o tornava bastante nervoso. Todavia a banda continuava a mandar a parte dos direitos das músicas que Barrett tinha escrito.
Este mais tarde mudou-se para casa dos seus pais para ter alguém que no fundo toma-se conta dele. Dedicou-se novamente às artes, segundo a sua irmã depois fazia pinturas e quando as terminava destruía-as, dizendo que não havia necessidade de voltar a ver uma obra terminada. Quando não terminava as pinturas era porque fãs obcecados entravam no seu quintal e as roubavam, para as guardarem como objectos de culto.
Mais para o fim da sua vida Syd sofreu de diabetes tendo que lhe ser amputados alguns dedos, semanas antes da sua morte foi-lhe diagnosticado um cancro no pâncreas.
A 7 de Julho de 2006 Syd Barrett morreu, com um cancro no pâncreas e complicações com a sua diabetes. Por fim deixou morrer a sombra que estava à muito nas costas dos Pink Floyd, arrastando-se sem rumo, existindo no limbo.
Syd é a prova de que como podemos ser grandes ter um grande génio e mesmo assim deitar tudo a perder acabando por morrer sozinho.
Syd foi o génio que tinha tanto de sabedoria como de loucura. Conviveu no limiar da doença mental e da estranheza, mas infelizmente cedeu para o lado errado.
Ele foi no fundo o mais importante elemento dos Pink Floyd, deu o nome à banda, definiu o seu som, e foi a personificação de grande parte das letras da banda. Em tributo deixo a letra escrita por Roger Waters, que na minha opinião nunca se perdoou a si próprio por ter feito aquilo que tinha que ser feito na altura.

Brain Damage - Pink Floyd
The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games and daisy chains and laughs
Got to keep the loonies on the path
The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more
And if the dam breaks open many years too soon
And if there is no room upon the hill
And if your head explodes with dark forbodings too
I'll see you on the dark side of the moon
The lunatic is in my head
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You re-arrange me 'till I'm sane
You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me
And if the cloud bursts, thunder in your ear
You shout and no one seems to hear
And if the band youre in starts playing different tunes
I'll see you on the dark side of the moon
Valete Frates
P.S.:Peço um pouco de paciência para a leitura deste enorme texto, penso que deve valer a pena. Ainda muito ficou por contar.
P.S.2:É com a intensidade e crueza de letras como a de cima, que eu me sinto incrivelmente pequeno, e compreendido.